O abraço que deveria ter dado

By Diorgenes Pandini

30 30UTC Março 30UTC 2011

Category: Cotidiano

1 Comentário »

Uma das entrevistadas durante o projeto (ps, não é a senhora que me falou que apenas desejava a morte agora, não quero identificar ninguém nesse blog)

Conheci muitas histórias, vindas de muitos lugares, por diferentes pessoas, nas últimas semanas. Umas venceram, outras ficaram na mesma de sempre. Isso nem importa mais para cada um deles. Quando se chega aos 80 anos, daí se você têm dois carros na garagem ou se mora no interior, depois de uma ponte artesanal sobre um riacho, e tudo que possui é um chevette caindo aos pedaços. É cada vez mais provável que amanhã você possa estar morto.

Essa fase da vida, tão próxima do ninguém-sabe-o-que-tem-depois-da-porta, os deixam tão confortáveis sobre o futuro tão incerto. Alguns felizes por acabar com as dores de cabeça, com os mais de 20 remédios que tomam diariamente. Outros, esperançosos por “encontrar” o grande amor perdido recentemente. Há quem queira apenas acabar com o sofrimento que a solidão acumulou. Ou aquele que só está cansado e vê na morte, uma forma conseguir se recuperar.

Quando perguntei para uma dessas personagens, o que ela esperava daqui para frente no bairro. A resposta, vinda da pergunta entendida diferente, devido ao problema de surdez, foi o imenso desejo pela morte. Isso com os olhos lacrimejando, depois de ter falado da falta que ele passou a fazer em sua vida. Fechei o bloco de anotação e, por um momento, tive muita vontade de abraçá-la por horas, mas fiquei tímido.

One Response to “O abraço que deveria ter dado”

  1. A vida nos da a possibilidade de abracar, beijar de simplesmente ouvir o outro tem a dizer ou até desabafar… Os idosos com toda a estrada percorrida, sentem-se amados, até quando algum estranho lhe deseja um bom dia… Meu amigo Taton, no auje dos seus 74 anos, sempre me falava…” Adoro trabalhar com vc, -Danila- (me chamava assim), pq vc me escuta, escuta, escuta, gosto muito de contar minhas estórias…” E eu o escutava, as vezes a mesma estória várias vezes, deixava-o chorar… e ele chorava contando coisas que sabia que não iriam voltar, o tempo já havia passado…
    Sempre que puderem dêem atencão a um idoso… é mágico o que podemos aprender com eles!!!!

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